![]() Mart’nália – Menino do Rio (Gravadora) Cantora estréia no selo Quitanda, de Maria Bethânia, recriando Caetano e Melodia, e revelando a face sambista da geração de Moska e Ana Carolina. É preciso mais que talento para, em alguns anos de carreira, reunir sobre si o respeito e o entusiasmo de nomes como Martinho da Vila, Caetano Veloso e Maria Bethânia. É preciso mais que nome para, a cada trabalho, fazer surgir como clássicos novas canções e compositores, e ao mesmo tempo prestar reverência originalíssima aos mestres do samba e afins, dentro da generosa árvore genealógica musical brasileira. É o caso de Mart’nália, que chega a seu quinto disco, “Menino do Rio”, o primeiro pelo selo Quitanda, de Maria Bethânia, com distribuição da Biscoito Fino. A filha de Martinho da Vila, afilhada musical de Caetano (que dirigiu seu disco “Pé do meu samba”) chega agora, pelas mãos de Bethânia e do maestro Jaime Alem, ao mais diversificado de seus trabalhos. De Caetano (na recriação de “Menino do Rio”) a Celso Fonseca (no partido alto “A origem da felicidade”, com a bateria da Vila Isabel); de Luiz Melodia (na releitura de “Estácio, Holly Estácio”) a Ana Carolina (da impagável “Cabide”); do suingue carioca-gaúcho de Totonho Villeroy, em “São Sebastião” (com participação de Bethânia), ao pop dos amigos e parceiros Moska e Leoni, em “Soneto do teu corpo”, passando pela balada de Guilherme Arantes, “Só Deus é quem sabe”. Dentre os que tem o samba por religião, estão Martinho da Vila e Nelson Rufino, que assinam “Nas águas de Amaralina”. Roque Ferreira e Jorge Agrião empunham a bandeira do samba-de-roda, na hospitaleira “Casa da minha comadre”. Das sonoridades do Recôncavo ao fundo de quintal tipicamente carioca de “Boto meu povo na rua”, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Ronaldinho, com participação de Arlindo Cruz, no banjo, até o ancestral Monsueto, de “Casa 1 da Vila”. Seja ainda como compositora - na irresistível “Essa mania”, em parceria com Moska; no samba de intensa riqueza melódica “Sem perdão a vida é triste e solidão”, feito com Ana Costa e Zélia Duncan; nas parcerias com Paulinho Black (“Pára comigo”) e Mombaça (“Pretinhosidade”) – ou como musa – na faixa que abre o disco, “Pra Mart’nália”, de Fred Camacho e Jorge Aragão -, tudo é samba na voz e no estilo de Mart’nália. |
Voltar |